Editoras são empresas ou instituições, privadas ou públicas, que recebem originais, avaliam-nos, selecionam-nos e os tornam livros, impressos ou digitais. A partir da digitalização dos processos editoriais, surgiram editoras que produzem livros que são exclusivamente digitais, colocando em questão as práticas editoriais e até mesmo a noção de livro.
As editoras, tal como as conhecemos do século XX até hoje, são empresas ou instituições, públicas ou privadas, de porte variável, menos ou mais formalizadas, cujo objetivo é receber originais, avaliá-los e selecioná-los, tornando-os livros, sejam impressos ou digitais, por meio de um processo de edição. Ao final desse processo, os livros devem ser publicizados, seja pela comercialização ou por alguma forma de distribuição. As editoras constituem um catálogo, isto é, uma coleção de suas obras, geralmente guiada conforme uma linha editorial. Os originais recebidos podem ser textos sobre muitos temas e com formas menos ou mais multimodais, isto é, semioticamente mais homogêneas (textos predominantemente verbais) ou mais heterogêneas (palavra, imagem, textura, vinculações com outras mídias, realidade aumentada etc). Grande parte das editoras tem relativa clareza de sua linha editorial e publica livros apenas relacionados aos seus objetivos, estejam eles associados a gêneros literários/editoriais e/ou a públicos específicos: livros didáticos, técnicos, literários, infantis, juvenis, religiosos etc. Grupos editoriais de grande porte podem trabalhar com todas essas possibilidades, não raro dividindo-se em selos ou em coleções, para melhor organizar e acomodar obras muito diversas entre si. Há editoras sem propósitos tão claros que funcionam como prestadoras de serviços, isto é, produzem livros sem a etapa da curadoria ou seleção. Geralmente, este tipo goza de menos prestígio e legitimação no campo, embora possa ser muito útil para os objetivos do crescente número de pessoas interessadas em publicar livros. Há editoras privadas (maioria no Brasil) e públicas ou ligadas ao serviço público (vinculadas a esferas do Estado ou a universidades, por exemplo). Uma editora é formada por um corpo mínimo de pessoas, geralmente especializadas, que atuam como leitoras críticas (editor, curador, parecerista), programadoras visuais ou designers, diagramadoras, preparadoras e revisoras de textos, além de profissionais de marketing, divulgação, entre outros, a depender do porte da empresa. Hoje em dia, grande parte desses serviços é prestada de forma autônoma, sem vínculo empregatício com a editora. Também há uma profusão de editoras compostas de pouquíssimas pessoas, até mesmo de apenas uma. No século XXI, depois da digitalização dos processos editoriais, desde a etapa de escrita até a difusão em redes sociais, por exemplo, surgiram editoras que produzem livros nativamente digitais, isto é, obras que se conformam totalmente às possibilidades dessas tecnologias, sem produzirem livros ou versões impressas, ou emuladoras do livro impresso. Em muitos casos, tais empresas se autodenominam publicadoras ou se assumem como empresas de tecnologia, rompendo parcialmente com a noção mais tradicional de editora, embora suas finalidades e seus processos de edição sejam parcialmente semelhantes aos de suas antecessoras do mundo do impresso. Diante das possibilidades das publicadoras de livros digitais e conforme o produto editorial que elas realizam, até mesmo a noção de livro é posta no centro do debate, já que os modos de produção, os modelos de negócio e os próprios livros oferecem experiências novas ao leitor.
COMO CITAR ESTE VERBETE:
RIBEIRO, Ana Elisa. Editoras. In: CATRÓPA, Andrea; PEREIRA, Vinícius Carvalho; ROCHA, Rejane (orgs.). Glossário – LITDIGBR – Literatura Digital Brasileira. 2025. Disponível em: https://glossariolitdigbr.com.br/editoras/ Acesso em: dia/mês/ano.
A obra é um clássico dos estudos do livro e da produção editorial, com prefácio de Antônio Houaiss. Trata-se de um livro que aborda os processos desde o original, seu tratamento pela editora, até sua composição em termos estilísticos e gráficos. Embora seja um livro menos atualizado em termos tecnológicos, continua fundamental para uma compreensão da arte de publicar. Há edição recente.
Carlos Gazzera é um importante editor universitário argentino, que atua na Editora da Universidade de Villa María, em Córdoba. A obra trata de todas as etapas da edição de livros em uma editora, desde o original até a circulação, passando pelo design, revisão e contratos. É um livro básico e esclarecedor.
Uma das obras mais conhecidas sobre a “independência editorial”, a partir do debate sobre edição e editoras no final do século XX e início do XXI. Os autores argentinos debatem mercado, convergências tecnológicas, concentração financeira e outras questões que mudaram o mundo da edição de livros na contemporaneidade.
Edi-Red – Portal do Instituto Cervantes sobre editores e casas editoriais ibero-americanos, com verbetes e informações sobre uma infinidade de casas espanholas, portuguesas e latino-americanas, com colaboração de pesquisadores e pesquisadoras de muitas universidades.
Cadernos Viva Voz – publicações da editora-laboratório da Faculdade de Letras da UFMG, todas de acesso aberto, gratuitas, em temas sobre edição de livros e revisão de textos.
Coleção de livros sobre edição, produzida pelas Editoras Moinhos e Contafios.
Vídeo sobre como o livro impresso é feito na gráfica – Lote 42 com Cecilia Arbolave
Entrevista com Samira Almeida, editora da Storymax, sobre a produção de livros digitais de literatura infantil no Brasil
Vídeo da TV UFMG sobre tipografia no Museu Memória Gráfica, em Belo Horizonte
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